CCIAH alerta para impacto económico de redução dos voos interilhas

A Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) manifestou ontem "profunda preocupação" com as conclusões de um estudo que aponta para uma redução dos voos e do número de passageiros nas ligações aéreas interilhas dos Açores, com exceção da rota entre Ponta Delgada e o Corvo, alertando para o risco de uma contração significativa da economia regional.

Em comunicado, a direção da associação empresarial considera que, caso as previsões do estudo se confirmem, os Açores poderão enfrentar um abrandamento económico de grande dimensão, uma vez que a mobilidade de pessoas constitui um dos indicadores mais relevantes da dinâmica económica e da circulação de riqueza entre as ilhas.

A CCIAH sublinha que uma quebra na procura e na oferta de transporte aéreo interno não afeta apenas a deslocação de residentes, mas tem repercussões diretas na atividade empresarial, na circulação de trabalhadores, no comércio e na atratividade da Região para novos investimentos.

Segundo a associação, as conclusões do estudo podem ainda influenciar negativamente a perceção de investidores regionais, nacionais e estrangeiros, sobretudo num momento em que o turismo tem desempenhado um papel determinante no crescimento económico dos Açores. A entidade defende que o impacto não se limitará ao setor turístico, podendo estender-se a toda a economia regional.

Face a este cenário, a CCIAH enviou um ofício ao Governo Regional solicitando esclarecimentos sobre as causas apontadas para a prevista redução da mobilidade aérea e questionando que medidas concretas estão a ser preparadas para contrariar esta tendência.

A associação entende que os dados apresentados exigem uma resposta rápida e estratégica, considerando que a Região "não pode esperar para agir". Para a direção da Câmara, trata-se de uma matéria que deve mobilizar não apenas os decisores políticos, mas também empresários e população, devido às potenciais consequências económicas e sociais.

A CCIAH recorda igualmente a proposta de dinamização da economia açoriana apresentada em setembro de 2025, reiterando a disponibilidade para colaborar na definição de soluções de médio e longo prazo que reforcem a competitividade regional.

No comunicado, a associação empresarial sustenta que medidas isoladas, como a tarifa Açores, embora importantes para a mobilidade dos residentes, poderão revelar-se insuficientes para responder aos desafios económicos futuros, defendendo a necessidade de uma estratégia mais abrangente.

A Câmara de Comércio de Angra conclui apelando à construção de uma "autonomia de crescimento", assente em visão estratégica, disciplina, coragem política e cooperação entre os setores público e privado, considerando que só através de políticas consistentes será possível consolidar os Açores como um espaço económico competitivo, inovador e sustentável.

 

Diário Insular (07/08/2026)