Plano de monitorização do Corvo deve ser alargado a todas as ilhas

A Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) defende que o Governo Regional deve alargar o plano de monitorização de fluxos de visitação anunciado para a ilha do Corvo às restantes ilhas do arquipélago.

"O estudo desenvolvido no Corvo deverá constituir o ponto de partida para um sistema permanente de monitorização, progressivamente alargado a todas as ilhas. Só uma visão regional permitirá identificar desequilíbrios, antecipar situações de sobrecarga, distribuir melhor os visitantes e valorizar de forma equilibrada a oferta turística de todo o arquipélago", afirmou a associação empresarial, em comunicado.

A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, anunciou recentemente o arranque do Plano de Monitorização dos Fluxos de Visitação à Ilha do Corvo.

Os trabalhos, que vão decorrer entre julho e setembro, incluem a monitorização das entradas de visitantes por via marítima e aérea, o levantamento da capacidade instalada de alojamento e restauração e a monitorização da pressão exercida sobre os principais locais de interesse turístico da ilha, nomeadamente o Caldeirão e os trilhos pedestres.

Em reação, a CCIAH congratulou-se com a medida, que diz ir ao encontro de uma preocupação que já tinha manifestado.

"A recolha de informação objetiva sobre o número de visitantes, os seus padrões de deslocação e os impactos da atividade turística na mobilidade, nas infraestruturas, nos recursos naturais, nos serviços e na qualidade de vida das populações constitui um passo indispensável para uma gestão sustentável do destino Açores", apontou.

Os empresários lembraram que já tinham defendido a necessidade de "determinar a capacidade de carga turística de cada ilha e dos locais sujeitos a maior pressão", criando uma base técnica que permitisse "tomar decisões fundamentadas sobre promoção, distribuição dos fluxos, infraestruturas e preservação ambiental".

"Os resultados obtidos deverão ser tornados públicos e utilizados na definição de medidas ajustadas à realidade de cada ilha. Essas medidas poderão incluir uma melhor organização dos horários e transportes, o reforço de serviços e infraestruturas, a gestão dos locais mais procurados e, quando os dados o justifiquem, mecanismos de regulação dos fluxos turísticos", explicou.

Taxa de sustentabilidade

A CCIAH insistiu novamente na criação de uma Taxa de Sustentabilidade nos Açores, que permita angariar recursos financeiros para "proteger o património natural e paisagístico, qualificar infraestruturas, sensibilizar residentes e visitantes e reforçar a promoção turística" da região.

"A receita deverá ser aplicada em projetos concretos de preservação ambiental, qualificação dos espaços e infraestruturas turísticas, gestão dos locais de maior procura, descarbonização, sensibilização e promoção do destino", sublinhou.

Em julho de 2023, a associação empresarial propôs a criação de uma taxa de 25 euros cobrada à entrada na região a não residentes maiores de 12 anos, mas a medida não teve acolhimento junto do executivo açoriano.

"A monitorização e a adoção de medidas de sustentabilidade devem avançar a par de uma estratégia ativa de promoção do destino e de reforço das acessibilidades aéreas, sobretudo nas ilhas que, como a Terceira, ainda estão longe de enfrentar uma situação de pressão turística e necessitam de captar novas rotas, companhias aéreas e fluxos de visitantes", acrescentou a CCIAH.

 

Diário Insular (31/07/2026)