Açores e Madeira têm muito a ganhar em estreitar relações comerciais

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo acredita que Açores e Madeira podem estreitar laços comerciais, mas defende um reforço de transportes aéreos e, sobretudo, marítimos.

A Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) participou, este ano, na Expo Madeira. O que motivou esta deslocação? Há um potencial de cooperação por explorar entre os dois arquipélagos?
A nossa presença teve como objetivo essencial promover a nova rota Terceira/Funchal/Terceira junto dos madeirenses e juntos dos operadores turísticos daquela região, dando-lhes a conhecer a Terceira como destino e como porta de entrada para os Açores e para o Grupo Central. A verdade é que acabou por ser muito mais do que isso. Da reunião com a Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF) ficou clara a ideia de que as regiões têm muito a ganhar em estreitar as suas relações comerciais e isso passa por uma aproximação entre o tecido empresarial das duas regiões. Ficou assente realizarmos uma reunião entre a Câmara de Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) e a ACIF, facto que transmitirei aos meus colegas das restantes câmaras de comércio, no sentido de agendarmos esse encontro e procurarmos pontos comuns que nos permitam crescer, por exemplo, nos transportes marítimos, entre outros.

Que balanço faz desta participação na Expo Madeira?
Extremamente positivo. Se existe ilha, nos Açores, que se identifica com a Madeira é a ilha Terceira. Temos o mesmo espírito festivo e a mesma mentalidade aberta. Mas essa não foi a nossa única preocupação. Quisemos também promover os Açores, e em particular o Grupo Central, explicando, por exemplo, que os madeirenses podem visitar os Açores ao abrigo do subsídio social de mobilidade, algo que a grande maioria, para surpresa nossa, desconhecia.

Em que áreas pode haver um incremento de trocas comerciais entre os Açores e a Madeira? Os transportes entre as duas regiões permitem esse crescimento?
Os transportes são efetivamente a base do que queremos criar no futuro, estendendo essa relação às regiões da Macaronésia. Muito embora existam ligações aéreas entre o Funchal e a Terceira e Ponta Delgada, muito existe por fazer, não só ao nível das ligações aéreas, mas também, e acima de tudo, marítimas. A nossa história comum é feita de costas voltadas. Falamos da Lei das Finanças Regionais e pouco mais. Existe todo um caminho a explorar.

Melhorar os transportes
"Muito embora existam ligações aéreas entre o Funchal e a Terceira e Ponta Delgada, muito existe por fazer, não só ao nível das ligações aéreas, mas também, e acima de tudo, marítimas. A nossa história comum é feita de costas voltadas. Falamos da Lei das Finanças Regionais e pouco mais. Existe todo um caminho a explorar".

Durante esta passagem pela Madeira, a Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo apresentou, em parceria com a SATA, a nova rota Terceira-Funchal. Apesar do horário, que levantou alguns receios, o balanço deste primeiro mês é positivo?
O horário, não sendo o ideal, também não é mau. Quem quer, efetivamente, visitar a Terceira e o Grupo Central não o deixará de fazer pelo horário. As taxas de ocupação de 80%, no primeiro mês, são a prova disso mesmo. Julgo que inquestionavelmente o caminho é de crescimento.

O mercado da Madeira tem potencial de crescimento no turismo? Acredita que a rota pode vir a ser reforçada?
Como disse, o mercado da Madeira tem uma forte identidade com o produto turístico da Terceira (história, cultura e gastronomia). A expectativa, revelada pela própria companhia, é de que a rota venha a ser reforçada e que não nos "cortem as pernas", como aconteceu durante anos. A afirmação do desenvolvimento dos Açores faz-se pela descentralização e pelo crescimento harmónico, o grande desígnio falhado da Autonomia. Espero que esta rota e o seu crescimento sejam um contributo para a inversão do caminho centralista que temos visto na região, não só ao longo dos últimos anos, mas de toda a Autonomia.

 

Diário Insular (17/07/2026)