Terceira mantém predominância do mercado nacional

O relatório Estatísticas do Turismo - Região Autónoma dos Açores - 2025, do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), revela que na Terceira o mercado nacional continua a ter maior peso do que o mercado internacional, contrariando a tendência regional.

Segundo o documento, na Terceira, 51,9% das dormidas são de residentes em Portugal, enquanto 48,1% provêm de turistas estrangeiros, sendo uma das poucas ilhas onde o mercado nacional ainda tinha, nesse ano, um peso superior ao internacional.

Esta estrutura da procura tem também implicações económicas. À escala regional, os turistas estrangeiros permaneceram, em média, 3,67 noites, enquanto os residentes em Portugal registaram uma estada média de 2,71 noites.

Os dados do SREA confirmam que os Açores têm vindo a reforçar progressivamente os mercados externos, que passaram de cerca de 60% das dormidas em 2019 para 70% em 2025. Os mercados alemão, norte-americano e espanhol são os dominantes.

"Analisando por ilhas, o mercado nacional (residentes em Portugal) teve um maior peso nas dormidas, para o conjunto da hotelaria e alojamento local, nas ilhas Graciosa (74,5%), Santa Maria (56,0%), Terceira (51,9%) e Corvo (50,8%)", avança o SREA.

Em contraste, São Miguel surge com uma forte internacionalização, apresentando cerca de três em cada quatro dormidas por turistas estrangeiros. A ilha registava, no ano passado, um peso de 75,3% do mercado internacional, contra 24,7% de turistas nacionais.

Na Região, "no que respeita aos principais mercados externos (residentes no estrangeiro), em 2025, o mercado alemão foi o principal mercado externo para os Açores (11,1%) no conjunto da hotelaria e alojamento local. Em particular, este mercado foi o principal mercado externo nas ilhas Pico (21,3%), Faial (14,2%), São Jorge (13,2%) e Corvo (7,9%), enquanto nas ilhas São Miguel (11,7%), Terceira (10,1%), Santa Maria (7,2%) e Graciosa (7,1%) foi o mercado norte-americano; na ilha das Flores destacou-se o mercado espanhol (18,9%)".

Pode ler-se também, ainda tendo em conta o arquipélago, que "os oito principais mercados externos (residentes no estrangeiro), no seu conjunto, deram origem a 74,5% das dormidas dos residentes no estrangeiro para o conjunto da hotelaria e alojamento local".

Regressando à Terceira, ao longo de 2025, na hotelaria houve uma ligeira diminuição das dormidas em relação a 2024, com uma variação anual de -0,6%. Já a taxa de ocupação-cama da hotelaria da Terceira continuou entre as mais elevadas da
Região (43,2%).

"Para a hotelaria, as ilhas que apresentaram variação anual positiva nas dormidas foram: Pico (+8,2%), São Jorge (+6,1%) e São Miguel (+1,8%). Em sentido inverso, as ilhas Flores (-33,5%), Graciosa (-5,5%), Santa Maria (-5,4%), Corvo (-3,5%), Terceira (-0,6%) e Faial (-0,3%) apresentaram variação anual negativa nas dormidas".

No que respeita ao alojamento local, as dormidas apresentaram variações anuais positivas em todas as ilhas, com a Terceira a registar uma subida de 3,6%.

Como o DI já noticiou, este mesmo relatório aponta que o turismo na Região cresceu em 2025, diversificou mercados e consolidou a recuperação pós-pandemia, mas entrou numa fase de desaceleração no final do ano, tendência que se prolonga em 2026.

O crescimento foi impulsionado sobretudo pelos mercados internacionais, enquanto o mercado nacional recuou. "O mercado nacional (residentes em Portugal), no qual se inclui o da Região Autónoma dos Açores, garantiu 1,4 milhões de dormidas (30% do total), e decresceu 1,2% em relação ao ano anterior, enquanto as dormidas dos mercados externos (residentes no estrangeiro) foram de 3,2 milhões (70% do total) e aumentaram 7,3% face a 2024", é indicado.

 

Diário Insular (16/07/2026)