Crescimento manteve-se mas setor desacelerou no final do ano
O turismo na Região cresceu em 2025, diversificou mercados e consolidou a recuperação pós-pandemia, mas entrou numa fase de desaceleração no final do ano, tendência que se prolonga em 2026. As conclusões relativas a 2025 constam da publicação "Estatísticas do Turismo", divulgada quinta-feira pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA).
O SREA começa por sublinhar o reforço da atividade turística. Entre estabelecimentos de alojamento turístico, parques de campismo e pousadas da juventude, no final de julho de 2025 estavam ativos 4 485 estabelecimentos nos Açores, mais 10,6% do que no período homólogo de 2024. Também foram registadas 4,6 milhões de dormidas, um acréscimo de 4,6% face ao ano anterior.
Este crescimento foi impulsionado sobretudo pelos mercados internacionais, enquanto o mercado nacional recuou. "O mercado nacional (residentes em Portugal), no qual se inclui o da Região Autónoma dos Açores, garantiu 1,4 milhões de dormidas (30% do total), e decresceu 1,2% em relação ao ano anterior, enquanto as dormidas dos mercados externos (residentes no estrangeiro) foram de 3,2 milhões (70% do total) e aumentaram 7,3% face a 2024", especifica o SREA.
A publicação destaca ainda o abrandamento progressivo das variações homólogas ao longo de 2025. "Para a generalidade dos meios de alojamento turístico, a evolução da variação homóloga das dormidas apresentou uma tendência global de desaceleração ao longo do ano, atingindo valores negativos a partir de outubro. Esta evolução foi influenciada, sobretudo, pelo comportamento dos mercados externos, que representaram a maior proporção do total das dormidas entre março e novembro de 2025", enquadra o documento.
"Em particular, estes mercados evidenciaram uma trajetória pronunciadamente descendente da variação homóloga das dormidas ao longo do ano 2025, mantendo-se, ainda assim, os valores em terreno positivo entre abril e outubro, antes de se registarem valores marcadamente negativos nos últimos dois meses do ano. Por sua vez, o mercado nacional registou, em 2025, variações homólogas negativas desde o final do primeiro trimestre, embora sem grandes oscilações, exceto no último mês do ano, onde a variação homóloga apresentou sinais de recuperação, regressando a terreno positivo", prossegue.
Quanto ao número de hóspedes, o setor registou 1,4 milhões, correspondendo a uma variação anual positiva de 3,8%. "O mercado nacional (residentes em Portugal), garantiu 507,7 milhares de hóspedes (36,5% do total) e cresceu 0,2% em relação ao ano anterior, e os hóspedes dos mercados externos (residentes no estrangeiro) foram de 883,8 milhares (63,5% do total) e aumentaram 5,9% face a 2024", pode ler-se.
A estada média também aumentou. "A estada média situou-se nas 3,30 noites, com um aumento anual de 0,8%. Para o mercado nacional (residentes em Portugal) a estada média foi de 2,71 noites (-1,4% que em 2024) e para os mercados externos (residentes no estrangeiro) foi de 3,64 noites (+1,3% face a 2024). Da generalidade dos meios de alojamento, o alojamento local foi o que apresentou permanência média mais elevada (3,87 noites) seguido do turismo no espaço rural (3,42 noites), hotelaria (2,95 noites), parques de campismo (2,62 noites) e pousadas da juventude (2,23 noites)", adianta o relatório.
Em termos de distribuição das dormidas, a hotelaria concentrou 50,3% do total regional (2,3 milhões), seguida do alojamento local com 43,3% (2 milhões). O turismo no espaço rural representou 4,8%, os parques de campismo 0,9% e as pousadas da juventude 0,6%.
A recuperação dos mercados internacionais é particularmente evidente. A Alemanha voltou a liderar como principal mercado emissor, com 524,4 mil dormidas (+12,2%), seguida dos Estados Unidos, com 490,1 mil (+1,4%), e de Espanha, com 441,3 mil (+2,6%).
A sazonalidade permanece como traço estrutural da procura turística. "Em 2025, a maior proporção de dormidas concentrou-se em agosto, representando 16,0% do total anual, correspondente a 10,6% das dormidas do mercado nacional e a 18,3% das dos mercados externos; seguiu-se o mês de julho, com 14,8% do total de dormidas (9,2% no mercado nacional e 17,2% nos mercados externos), e o mês de setembro, com 11,9% (9,7% e 12,8%, respetivamente)", exemplifica o SREA.
Como o DI noticiou ontem, também com base em números do SREA, desembarcaram em junho nos aeroportos da região 243.803 passageiros, uma queda homóloga de 6,9%. A descida foi consistente ao longo do ano.
Diário Insular (11/07/2026)





