Câmara de Comércio de Angra apela a debate sobre mobilidade

A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) apela a um debate sobre o futuro da mobilidade nos Açores, defendendo que é preciso deixar de olhar apenas para o número de voos entre as ilhas, mas questionar qual o verdadeiro objetivo das Obrigações de Serviço Público.

"A CCIAH acredita que o futuro da mobilidade açoriana merece um debate sereno, informado e ambicioso. Talvez tenha chegado o momento de deixarmos de perguntar apenas quantos voos existem entre duas ilhas e começarmos a perguntar para que servem verdadeiramente esses voos. Talvez a questão mais importante seja outra, afinal", afirmou, ontem, em comunicado.

A associação que representa os empresários das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa enviou à secretária regional das Obras Públicas e Comunicações um conjunto de trabalhos realizados pela Fundação Açoreana - Da Silva Fernandes sobre futuro da mobilidade e da continuidade territorial nos Açores.

"Mais do que uma tomada de posição sobre políticas em curso, trata-se de uma nova forma de pensar a mobilidade em contexto arquipelágico e o papel que esta desempenha na preservação da unidade efetiva da região", apontou.

Com o título "Integridade Funcional do Arquipélago", os estudos resultam de "um programa de investigação independente" desenvolvido pela Fundação Açoreana - Da Silva Fernandes, que tem como vice-presidente o comandante Victor Fernandes.

Os trabalhos partem da pergunta: "Qual é afinal o verdadeiro objetivo das Obrigações de Serviço Público?".

"Durante décadas, o debate centrou-se no número de frequências, nos horários ou no volume de passageiros transportados. A investigação agora apresentada propõe uma mudança de perspetiva", salientou a CCIAH.

Para os empresários, as Obrigações de Serviço Público "não existem apenas para assegurar ligações aéreas entre ilhas", mas "para garantir que o oceano nunca se transforma numa barreira ao funcionamento da comunidade açoriana, preservando a sua coesão social, económica e institucional".

Entre os trabalhos agora enviados ao executivo açoriano há uma demonstração técnica sobre a "Arquitetura Operacional da Rede Inter-Ilhas" e uma fundamentação teórica sobre "A Descoberta da Integridade Funcional".

A fundação apresenta ainda a aplicação normativa de um "Novo Paradigma das Obrigações de Serviço Público" e uma "análise comparativa" das Obrigações de Serviço Público em 2020 e em 2026.

 

Diário Insular (17/06/2026)