Angra lidera insolvências Ponta Delgada regista queda

Angra do Heroísmo foi a zona geográfica do país que registou o maior aumento percentual das insolvências declaradas nos primeiros cinco meses de 2026, com uma subida de 200% face ao período homólogo, enquanto Ponta Delgada apresentou uma redução de 25%, revelam dados divulgados esta sexta-feira pela Iberinform.

Os indicadores mostram igualmente comportamentos distintos ao nível da criação de empresas nos Açores. Até maio, Angra do Heroísmo registou um crescimento de 7,7% na constituição de novas empresas, figurando entre os poucos distritos do país com evolução positiva, ao passo que Horta registou uma quebra de 14% e Ponta Delgada uma redução de 12%.

A nível nacional, o número de insolvências declaradas continuou a diminuir. Em maio foram declaradas insolventes 165 empresas, menos 32 do que no mesmo mês de 2025, o que corresponde a uma redução de 16%. No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, as ações de insolvência declaradas recuaram 15%, traduzindo-se em menos 131 empresas face ao período homólogo.

A diminuição foi acompanhada por uma queda de 29% nas declarações de insolvência apresentadas pelas próprias empresas, menos 113 processos do que em igual período do ano passado. Já as insolvências requeridas por terceiros diminuíram 5,6%, correspondendo a menos 18 processos.

Lisboa, Porto e Braga continuam a concentrar o maior número de insolvências declaradas, com 172, 143 e 106 processos, respetivamente. Em termos homólogos, o Porto registou uma redução de 37% e Braga uma descida de 10%, enquanto Lisboa apresentou um ligeiro aumento de 0,6%.

Além de Angra do Heroísmo, os maiores aumentos nas insolvências declaradas verificaram-se na Madeira, com mais 82%, em Vila Real, com mais 33%, e em Setúbal, com mais 19%. No sentido inverso, os maiores recuos ocorreram em Castelo Branco (-47%), Santarém (-46%) e Coimbra (-38%).

Por setores de atividade, não se verificaram aumentos nas insolvências declaradas. Os maiores decréscimos registaram-se na Indústria Extrativa (-100%), Agricultura, Caça e Pesca (-44%), Telecomunicações (-33%), Comércio a Retalho (-30%) e Comércio por Grosso (-22%).

A Iberinform destaca ainda que os processos de insolvência encerrados registaram uma diminuição de 1,7% em maio face ao período homólogo. Em contrapartida, os processos encerrados com plano de insolvência aumentaram 69%, correspondendo a mais 31 empresas do que em 2025. Entre janeiro e maio foram encerrados 1.101 processos, mais 8,9% do que no mesmo período do ano anterior.

Quanto à criação de empresas, os dados apontam para uma desaceleração da dinâmica empresarial. Em maio foram constituídas 3.684 empresas, menos 24% do que as 4.853 registadas no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a redução é de 4,1%.

Lisboa mantém a liderança na constituição de novas empresas, com 7.300 registos, seguida do Porto, com 4.234, e de Setúbal, com 1.901. Entre os poucos distritos com crescimento figuram Angra do Heroísmo, Vila Real e Coimbra. Já as maiores quebras verificaram-se em Évora, Madeira, Guarda, Horta, Viana do Castelo, Beja e Ponta Delgada.

Os dados divulgados pela Iberinform refletem ainda uma alteração metodológica introduzida em abril deste ano, que passou a distinguir de forma mais detalhada os processos de insolvência declarados dos processos encerrados.

 

Diário Insular (13/06/2026)