CCIAH rejeita que situação política da região resulte de "bairrismos"
A Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) considera que a situação da Região Autónoma dos Açores está a ser "sucessivamente" remetida para segundo plano, dando-se mais destaque à situação política regional, que não resulta de "bairrismos", mas da "reduzida experiência democrática regional em contextos de verdadeira pluralidade política e partidária".
"Classificar este novo quadro político como 'bairrismo político' é, no nosso entendimento, uma tentativa de desvalorizar e condicionar uma dinâmica democrática perfeitamente legítima e saudável, procurando perpetuar modelos políticos e administrativos que, ao longo de décadas, contribuíram para o atual estado de fragilidade económica e financeira da Região", afirma a direção da CCIAH, em comunicado.
Para os empresários, as recentes posições políticas dos líderes do PSD, do CDS-PP e do PS devem "ser lidas à luz daquilo que é normal, natural e saudável numa democracia que se quer madura (que não o é), onde os equilíbrios parlamentares obrigam ao diálogo, à negociação e às cedências políticas e partidárias, onde todos são importantes".
A associação empresarial alega, no entanto, que mais importante do que discutir a situação política, é discutir temas que interessam aos Açores.
"Os recentes anúncios de apoios ao combustível para o setor agrícola - que, face às notícias vindas da República, tudo indica poderem vir a ser suportados pelo já débil Orçamento Regional - bem como a anunciada redução do preço dos combustíveis através da diminuição do ISP regional, numa altura em que os preços do crude nos mercados internacionais começam igualmente a baixar, associados à quebra da atividade económica regional resultante do abrandamento do turismo, terão inevitavelmente impacto sobre a despesa e a receita do Orçamento Regional, facto que muito nos preocupa", apontou.
A CCIAH alerta ainda para a "crescente dificuldade em garantir financiamento para as medidas estruturais verdadeiramente prioritárias para os Açores".
"Questões fundamentais como a reabilitação/reconstrução do HDES, a necessária modernização e ampliação do porto da Praia da Vitória e do aeroporto das Lajes, a criação de redundância operacional na SATA Air Açores, o processo de privatização da Azores Airlines, ou o eterno problema dos transportes marítimos regionais, parecem passar ao lado da opinião pública regional, quando deveriam constituir preocupações centrais de toda a sociedade açoriana e aquelas que verdadeiramente determinarão o futuro económico da Região", avisa.
Entre as preocupações estruturais, a associação empresarial refere também as acessibilidades aéreas de passageiros e de carga.
"A insuficiência de capacidade de transporte aéreo tem consequências diretas e graves para a economia regional: remessas de produtos perecíveis - como flores ou pescado - ficam retidas sem escoamento, chegando ao destino fora do prazo ou sendo irrecuperáveis. Para os residentes, a deslocação entre ilhas e para o continente é um verdadeiro pesadelo sempre que não seja planeada com muita antecedência. Esta realidade, que afeta o quotidiano das famílias e a competitividade das empresas açorianas, não pode continuar a ser ignorada", vinca.
Os empresários temem igualmente um "decréscimo significativo da atividade económica regional" e "fortes limitações ao crescimento futuro da região", devido ao "fim do PRR, associado ao abrandamento do turismo e à crescente dificuldade em revitalizar a agroindústria".
"A reconversão de explorações leiteiras para a produção de carne poderá igualmente vir a criar graves problemas estruturais ao setor agroindustrial regional, com impactos económicos e sociais que importa começar desde já a discutir de forma séria e responsável", salientam.
Diário Insular (06/06/2026)





