CCIAH reitera combate aos centralismos e defende solução estrutural para os transportes marítimos açorianos

A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) manifesta o seu apoio às posições públicas assumidas pela Câmara do Comércio e Indústria da Horta e pela Câmara Municipal da Horta relativamente à anunciada transferência do navio responsável pelo abastecimento da ilha do Corvo para o porto da Praia da Vitória.

Entendemos, igualmente, as preocupações e reivindicações manifestadas pelos comerciantes e agentes económicos da ilha do Corvo, sendo legítima a procura de soluções que permitam melhorar o abastecimento daquela ilha e reduzir os custos associados ao transporte marítimo de mercadorias.

Contudo, importa deixar claro que toda esta alteração apenas fará verdadeiro sentido se dela resultar uma efetiva redução do custo de vida para os corvinos, nomeadamente através de uma descida real dos preços dos bens essenciais na ordem dos 20% a 30%, valores que foram publicamente apontados como justificação para a pressão exercida no sentido desta transferência operacional.

Caso tal redução não venha a verificar-se, dificilmente se compreenderá a utilidade prática desta mudança, sobretudo atendendo aos impactos operacionais, logísticos e económicos que a mesma poderá representar para os agentes económicos da ilha do Faial.

Toda esta situação vem, aliás, colocar novamente a nu uma realidade que continua longe de estar resolvida nos Açores: a fragilidade, desarticulação e falta de previsibilidade do atual modelo de transportes marítimos de mercadorias na Região.

A CCIAH reafirma igualmente que sempre foi, e continuará a ser, contra todas as formas de centralismo, particularmente os centralismos internos, por entender que estes fragilizam a coesão regional e o verdadeiro espírito autonómico. Os centralismos externos resultam de quem efetivamente suporta e enquadra a autonomia dos Açores, sendo legítimo discutir-se, em nosso entendimento, a forma como essa relação se deve processar e equilibrar. Já os centralismos internos representam opções políticas e administrativas regionais que importa continuar a combater e corrigir.

Os Açores continuam a necessitar de uma verdadeira estratégia integrada de transportes marítimos, assente na regularidade, previsibilidade, eficiência operacional e equilíbrio regional, capaz de servir de forma justa todas as ilhas e de garantir condições de competitividade às empresas açorianas e melhores condições de vida às populações.

A CCIAH continuará, como sempre, disponível para contribuir de forma construtiva para uma discussão séria, estrutural e definitiva sobre o futuro dos transportes marítimos nos Açores, matéria absolutamente decisiva para a coesão regional e para o desenvolvimento económico do arquipélago.