Marcos Couto arrasa centralismo e exige obras no porto e no aeroporto
O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH), Marcos Couto, lançou duras críticas aos "50 anos de incompetência" e ao "centralismo colonial" que afetam os Açores, defendendo uma mudança estrutural urgente.
As declarações foram feitas no fim-de-semana, durante a sessão de abertura da Expo Praia 2026. O evento decorreude 15 a 17, numa tenda instalada junto ao Paul da Praia da Vitória, reunindo cerca de 60 stands comerciais, áreas institucionais e espaços de restauração.
No seu discurso, Marcos Couto rejeitou categoricamente que as dificuldades económicas da Região resultem de um alegado "bairrismo político" ou de conjunturas governativas atuais. O líder empresarial classificou a situação como um problema estrutural profundo, nascido de um modelo que centralizou o poder económico e falhou em retirar os territórios da pobreza. Perante a Presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, e o tecido empresarial local, o responsável exigiu reformas no regime de incentivos para a Terceira.
PLURALIDADE
Para a CCIAH, as críticas recentes de que a associação tem sido alvo refletem o medo que as forças instaladas têm de perder a sua influência. O presidente sublinhou que os verdadeiros centralistas sentem o seu "modelo de mediocridade" ameaçado pela atual pluralidade de opiniões no panorama regional. Segundo o líder, o arquipélago viveu cinco décadas num sistema desigual onde "uns comiam e outros calavam", transformando os Açores na região mais pobre de Portugal.
Marcos Couto dirigiu-se diretamente ao atual Executivo açoriano, avisando que o poder político não pode ceder a pressões paralelas. O dirigente realçou que o Governo Regional tem agora uma oportunidade histórica para governar em democracia e respeitar as diferenças. Caso contrário, alertou, a atual governação será recordada apenas como mais uma igual às que lideraram as ilhas no último meio século.
AEROPORTO&PORTO
O líder da CCIAH sustentou que o futuro dos Açores depende obrigatoriamente do desenvolvimento económico integrado das nove ilhas do arquipélago. Nesse sentido, defendeu a urgência de equiparar o regime de incentivos da Ilha Terceira ao das restantes geografias regionais. A proposta passa por majorar os apoios locais ao nível das ilhas com maiores debilidades, concentrando fundos onde existe maior necessidade.
O empresário frisou que a Praia da Vitória desempenha um papel central nesta transição devido à sua posição geográfica estratégica. O sucesso do novo modelo económico assenta, segundo a CCIAH, no aproveitamento integral de duas infraestruturas fundamentais: o porto oceânico e o aeroporto das Lajes. Marcos Couto lamentou os atrasos no arranque destas obras públicas, há muito anunciadas, classificando-as como pilares vitais para a distribuição interna.
CONSUMIR LOCAL
A Presidente da Câmara Municipal, Vânia Ferreira, focou a sua intervenção na vertente comercial e no apoio direto ao tecido empresarial. A autarca praiense desafiou os residentes a escolherem os produtos locais, associando o ato de compra à preservação dos postos de trabalho. A líder do município declarou que comprar no comércio tradicional é a forma mais eficaz de injetar capital e robustecer a economia local.
Vânia Ferreira reconheceu que a atividade empresarial exige hoje uma enorme resiliência, capacidade de inovação constante e adaptação rápida do mercado. A autarca garantiu que, após um complexo processo de reorganização interna, a autarquia está agora financeiramente mais robusta e próxima dos cidadãos. O município assume o compromisso de investir na requalificação do espaço urbano, na modernização empresarial e na melhoria das acessibilidades.
A Expo Praia 2026 foi organizada em parceria entre a Autarquia e a CCIAH pelo segundo ano consecutivo. O programa do certame combinou a apresentação de novidades comerciais com diversas atividades de animação dedicadas ao público infantojuvenil. Ambos os líderes encerraram as respetivas intervenções reafirmando a solidez da parceria institucional para alavancar de forma sustentada a economia da Ilha Terceira.
Diário Insular (19/05/2026)





