Economia da Terceira não "fica bem na fotografia"
A economia da ilha Terceira não "fica bem na fotografia" quando comparada com o conjunto da Região, sustentou ontem o economista Alexandre Freitas, que apresentou ao Conselho de Ilha um estudo baseado em dados estatísticos.
O Valor Acrescentado Bruto (VAB) - indicador que mede a riqueza efetivamente criada por cada economia, correspondendo ao valor da produção depois de descontados os consumos intermédios - é um dos parâmetros utilizados no estudo.
O VAB por habitante permite comparar a capacidade produtiva das ilhas, independentemente da sua dimensão populacional, e a Terceira surge em posição desfavorável.
"Os dados estatísticos, conforme referi várias vezes, não são a verdade. E aquilo que nós vemos com os nossos olhos, às vezes, também não é a verdade. Portanto, com essas achegas, a imagem com que fico depois de ter feito este estudo é que a ilha Terceiranão está muito bem, em termos de comparação com as outras ilhas, ao nível do VAB (Valor Acrescentado Bruto) por habitante", afirmou Alexandre Freitas, na reunião que decorreu em Angra do Heroísmo.
"É uma das ilhas mais povoadas dos Açores, e a sua economia não mostra, do meu ponto de vista, muita pujança", acrescentou.
Segundo o economista, que reuniu dados estatísticos de vários setores, este cenário é visível na Terceira no setor imobiliário e na indústria transformadora. "Há vários ramos de atividade onde há muito por fazer nesta ilha, também ao nível do turismo", observou.
"Temos, a nosso favor, gastos públicos na Terceira acima da média, porque sabemos que muitas secretarias regionais estão aqui sediadas. Se não fosse por essa contribuição, se calhar, de facto, estaríamos bem pior. Mas a resposta simples é que, efetivamente, a Terceira não fica bem na fotografia", apontou.
Entre os dados apresentados na sessão, retirados de um estudo de abril de 2024 encomendado pela Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, está o comportamento do VAB anual por habitante (média 2012-2021), sem o peso da administração pública e do setor da Saúde, onde a Terceira surge na segunda pior posição.
Quanto à repartição do VAB total por ilhas, no mesmo período, São Miguel regista um crescimento de 52,3% para 56,6%, enquanto a Terceira desce de 23,4% para 21,9%.
Também o economista Domingos Borges apresentou um estudo estatístico, onde demonstrou a evolução positiva da Região em domínios como o PIB (Produto Interno Bruto) e o emprego, entre outros, mas onde é igualmente clara a evolução negativa da dívida e do défice regionais.
"Relativamente à evolução da dívida pública e défice orçamental, a Região Autónoma tem de ter em conta também as restrições que existem em termos da União Europeia ao Governo da República e, por sua vez, do Governo da República ao
Governo Regional. É uma realidade com a qual temos, cada vez mais, que nos defrontar", alertou.
Diário Insular (16/05/2026)





