Linha Laranja: Um Direito de São Jorge Ameaçado
O Núcleo Empresarial da Ilha de São Jorge da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo manifesta a sua profunda preocupação e indignação perante as mais recentes alterações à Linha Laranja (a ligação marítima que une diretamente Velas e o Cais do Pico) operada pela Atlânticoline. Estas alterações, tomadas sem consulta pública nem esclarecimento formal às comunidades afetadas, representam um retrocesso na mobilidade interilhas e um prejuízo direto para os interesses económicos, sociais e turísticos do triângulo.
A Linha Laranja não é um serviço supérfluo, é uma reivindicação histórica da ilha de São Jorge. Representa o reconhecimento do direito a ligações marítimas mais frequentes, mais tempo e mais adequadas às necessidades reais dos jorgenses.
Reduzir o período de operação de 1 de junho a 30 de setembro para 15 de junho a 15 de setembro significa eliminar um terço do período de operação, precisamente nos momentos de maior procura turística e de maior movimento entre ilhas.
Para além da redução da operação, os horários em vigor denotam uma ausência preocupante de planeamento integrado entre, principalmente, a Linha Laranja e a Linha Verde. Nos dias em que ambas as linhas servem a ilha do Pico, operam frequentemente a partir do mesmo porto, o que gera duplicação de oferta num único ponto, enquanto outro porto fica completamente desservido. As duas linhas deveriam ser complementares, nunca sobrepostas.
O resultado desta falta de coordenação é uma distribuição profundamente desequilibrada da oferta: dias com embarcações a partir do mesmo porto com escassos trinta minutos de diferença, e dias em que o São Jorge não tem absolutamente nenhuma ligação ao Cais do Pico.
A Linha Laranja não opera às quartas e quintas-feiras, por incompatibilidade com a operação dos navios de carga no porto do Cais do Pico. Nos anos anteriores, verificou-se ainda com alguma frequência o cancelamento das viagens de sexta-feira (e por vezes de sábado) devido a alterações nesses mesmos navios. Esta imprevisibilidade tem consequências diretas e mensuráveis para os empresários destas ilhas, para os operadores turísticos e para os residentes.
São Jorge, ilha que historicamente já parte de uma posição de menor conectividade face ao Faial e ao Pico, vê-se assim duplamente penalizada.
Em plena época alta, quando a procura é máxima e a janela de oportunidade para a economia local é mais estreita, a Atlânticoline retira dias de serviço e mantém horários desajustados. Este desfasamento não é compreensível nem aceitável.
Face a este cenário, o Núcleo Empresarial da Ilha de São Jorge reivindica às entidades competentes — Atlânticoline, Governo Regional dos Açores e Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas — as seguintes medidas:
- Reposição dos 30 dias de operação suprimidos, garantindo que a Linha Laranja opere de 1 de junho a 30 de setembro, em linha com o calendário histórico estabelecido;
- Revisão profunda e coordenada dos horários das Linhas Verde e Laranja, de modo a que não operem quase em simultâneo no mesmo porto do Pico no mesmo dia, assegurando complementaridade real entre as linhas;
- Esclarecimento formal e público sobre os critérios que ditaram as alterações à Linha Laranja.
A ilha de São Jorge não pode continuar a ser tratada como uma prioridade secundária nas ligações marítimas do triângulo dos Açores. A Linha Laranja foi conquistada. Deve ser preservada, melhorada e coordenada, não reduzida.





