CCIAH alerta: sem economia forte, declínio demográfico nos Açores será inevitável

A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) tomou conhecimento das conclusões do relatório recentemente apresentado pela OCDE, relativo à evolução demográfica da Região Autónoma dos Açores, cujos dados confirmam, de forma clara e inequívoca, a gravidade do momento que atravessamos.

As projeções agora divulgadas, que apontam para uma perda significativa de população nas próximas décadas, em particular ao nível da população jovem e ativa, bem como para um acentuado envelhecimento da sociedade açoriana, vêm reforçar aquilo que esta Câmara do Comércio e Indústria tem vindo, há muito, a alertar: o maior risco estrutural da Região não é apenas demográfico — é económico.

A OCDE identifica, de forma objetiva, o risco de os Açores entrarem numa “armadilha de desenvolvimento de talento”, caracterizada pela saída continuada de jovens qualificados, pela dificuldade em atrair novos residentes e pela incapacidade de gerar oportunidades que fixem população. Este diagnóstico, sendo preocupante, não é novo. É, antes, a confirmação de uma realidade que tem sido sucessivamente ignorada ou tratada de forma superficial.

A CCIAH entende, contudo, que importa ir mais longe do que o diagnóstico. E é precisamente nesse ponto que reside a diferença essencial entre o que tem sido feito e o que é necessário fazer.

Ao longo dos últimos anos, a nossa Associação Empresarial tem vindo a apresentar, de forma consistente e fundamentada, um conjunto de propostas concretas para alterar a trajetória económica, social e demográfica da Região. Propostas essas que assentam num princípio simples, mas absolutamente decisivo: sem uma economia forte, competitiva e geradora de valor, não será possível fixar população, reter talento ou garantir a sustentabilidade da autonomia.

Entre as muitas medidas defendidas e apresentadas ao Governo e publicamente pela CCIAH destacam-se:
• O plano para o Desenvolvimentos dos Açores, com aposta clara na valorização económica, através de setores estratégicos como a agroindústria, a economia digital, o turismo, o mar e os mercados de carbono;
• A reorganização estrutural dos sistemas de transportes e logística, fundamentais para a competitividade das empresas e para a coesão regional.
A CCIAH tem, igualmente, defendido a necessidade de uma mudança de paradigma no modelo de desenvolvimento da Região, com uma menor dependência da despesa pública e uma maior centralidade da iniciativa privada na criação de riqueza e emprego qualificado.

O relatório da OCDE vem, assim, validar o essencial desta visão: a demografia não se resolve com medidas isoladas ou de curto prazo. Resolve-se criando condições para que as pessoas queiram viver, trabalhar e investir nos Açores.

A Região dispõe de ativos únicos e de um potencial significativo. Mas esse potencial só se transformará em desenvolvimento real se houver coragem política para implementar reformas estruturais e para colocar a economia no centro da estratégia regional.

Sem essa mudança, o cenário traçado pela OCDE deixará de ser uma projeção para passar a ser uma inevitabilidade.

A CCIAH reafirma, por isso, a sua total disponibilidade para continuar a contribuir, de forma ativa e construtiva, para a definição e implementação de uma estratégia que permita inverter o atual ciclo de declínio demográfico e colocar os Açores num caminho de crescimento sustentável.