Algar do Carvão reabre com acesso limitado

O Algar do Carvão, um dos mais emblemáticos monumentos naturais da ilha Terceira, prepara-se para reabrir ao público, ainda que com várias restrições.

Encerrado desde outubro de 2024 por razões de segurança, o espaço entra agora numa fase de reabertura controlada, acompanhando a fase final das obras em curso.

Segundo a Associação Os Montanheiros, entidade responsável pela gestão do local, as visitas serão retomadas durante quatro dias por semana até ao final deste mês. A partir de abril e até setembro, período que coincide com a época alta do turismo, o acesso passará a ser diário.

Apesar da reabertura, as condições de visitação continuam bastante limitadas. O Centro de Visitantes permanece encerrado, o que implica a ausência de infraestruturas de apoio, como abrigo ou zonas de descanso para os visitantes. Ainda assim, será possível aceder ao interior da gruta num horário reduzido, entre as 14h30 e as 17h00.

De acordo com a mesma associação, o modelo de visita foi adaptado às circunstâncias atuais. A compra de bilhetes será feita numa bilheteira improvisada no exterior do local, sendo o custo fixado em dez euros por visitante. Após a aquisição do ingresso, os visitantes poderão descer ao interior do algar, mas com uma duração máxima de permanência de 30 minutos.

Estas medidas visam garantir a segurança dos visitantes numa fase em que as intervenções ainda não estão totalmente concluídas. A reabertura parcial permite, ao mesmo tempo, retomar a atividade turística de forma gradual e controlada.

O Algar do Carvão destaca-se pela sua origem vulcânica e pela possibilidade rara de visitar o interior de uma chaminé vulcânica. No seu interior, os visitantes podem observar formações geológicas únicas, como estalactites siliciosas e um lago subterrâneo, que tornam este local um dos principais pontos de interesse natural dos Açores.

A reabertura, ainda que condicionada, representa um sinal positivo para o setor turístico local, que vê neste espaço um importante atrativo para visitantes nacionais e estrangeiros.

O primeiro relato de uma descida ao Algar do Carvão de que se tem conhecimento data de 26 de janeiro de 1893, com a utilização de uma corda, levada a cabo por Cândido Corvelo e José Luís Sequeira. Uma segunda descida foi efetuada por Didier Couto, em 1934, que elaborou o primeiro perfil do Algar, segundo Os Montanheiros.

Apenas a 18 de agosto de 1963 se deu início a descidas organizadas ao interior do Algar, por um grupo de entusiastas, que mais tarde se haviam de organizar numa associação denominada de "Os Montanheiros", com recurso a um sistema mais elaborado, lê-se no sítio da organização.

O Algar do Carvão é um sítio de interesse geológico, sendo um geossítio do Geoparque Açores e foi finalista no concurso de "7 Maravilhas Naturais de Portugal".

 

Diário Insular (25/03/2026)