Comissão da Juventude da CCIAH alerta para desafios estruturais que afetam jovens açorianos e apela ao reforço da Autonomia

A Comissão da Juventude da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) dirigiu-se ao recém-empossado Presidente da República manifestando preocupação com a situação social e económica dos jovens na Região Autónoma dos Açores e apelando a um maior compromisso nacional com os desafios específicos das Regiões Autónomas.

No documento enviado a António José Seguro, os jovens açorianos destacam o “crescente afastamento entre as novas gerações e as instituições”, sublinhando “a importância de reforçar a confiança democrática” num momento considerado decisivo para o país.

A Comissão alerta que os jovens açorianos continuam entre os grupos mais vulneráveis em Portugal, enfrentando dificuldades estruturais que não resultam de falta de capacidade ou ambição. Entre os principais desafios identificados estão o acesso à habitação, a escassez de emprego qualificado, os custos associados à insularidade e o aumento da emigração jovem, muitas vezes encarada como solução inevitável.

Apesar de reconhecerem os limites constitucionais das competências presidenciais, os jovens sublinham o papel do Presidente da República enquanto garante da Constituição e da coesão nacional, apelando à sua intervenção como “magistratura de influência” na defesa da Autonomia e da igualdade territorial.

A Comissão da Juventude reforça ainda a “importância estratégica dos Açores”, rejeitando visões centralistas e defendendo a Região como “elemento fundamental da projeção atlântica de Portugal”. Nesse sentido, a Comissão manifesta preocupação com sinais recentes de esvaziamento da Autonomia, que consideram comprometer a capacidade de resposta da Região aos seus próprios desafios.

“A Autonomia não é um privilégio, mas um pilar constitucional essencial ao desenvolvimento equilibrado do país”, sublinham.

A Comissão da Juventude da CCIAH apela a que a situação da juventude açoriana seja colocada no centro do debate nacional, defendendo políticas públicas ajustadas à realidade insular e capazes de devolver esperança e perspetivas de futuro às novas gerações.

Disponibilizando-se para colaborar na construção de soluções, os jovens afirmam querer ser parte ativa na definição de respostas estruturais que promovam equidade e oportunidades.

No oficio endereçado ao Presidente António José Seguro, a Comissão conclui que ignorar os desafios enfrentados pelos jovens açorianos representa um risco não apenas para uma geração, mas para o futuro sustentável da Região e do país.