Conselho de Ilha da Terceira quer reforço do modelo tripolar e redundância entre HDES e novo Centro de Saúde
Conselho de Ilha Terceira entregou ao presidente do Governo Regional um documento onde se manifesta contra a criação de um hospital central/universitário em Ponta Delgada e defende complementaridade entre os três hospitais.
O documento entregue pelo Conselho de Ilha da Terceira ao presidente do Governo Regional na semana que passou parte da ideia de que o que está a ser planeado para o Hospital Divino Espírito Santo (HDES) é a criação de um hospital central e universitário, para defender que, em alternativa, deve ser feito o reforço do modelo hospitalar tripolar “com complementaridades entre si”.
Sustenta que o investimento no HDES deve assentar em “obras de recuperação, modernização das instalações e melhoria da gestão hospitalar, em vez da criação de uma megaestrutura”. E na “criação de uma resposta articulada entre entre o HDES e o novo Centro de Saúde da Ribeira Grande, já anunciado pelo Governo Regional, propondo que tenha valências como Cirurgia Geral; Medicina Interna; Ginecologia / Obstetrícia; Pediatria e Medicina Geral e Familiar, de modo a “aumentar e melhorar a redundância hospitalar na ilha de São Miguel”.
Para os membros deste Conselho de Ilha é importante também reforçar a rede de cuidados continuados, para “libertar capacidade hospitalar”, tendo em conta que “cerca de 20% das camas hospitalares são atualmente ocupadas por doentes de cuidados continuados”.
Os conselheiros discordam da ideia de que a criação de um hospital universitário permitiria fixar mais médicos nos Açores; deste modo sustentam que devem ser criados sim incentivos estruturais como habitação para profissionais de saúde, apoios à mobilidade, incentivos financeiros e benefícios sociais para jovens médicos e famílias. Defendem ainda que haja vagas protocoladas, permitindo que médicos açorianos realizem especialização em centros de referência nacionais, regressando posteriormente à Região com formação avançada.
Do ponto de vista do Conselho de Ilha da Terceira “importa evitar qualquer modelo que possa conduzir a um excessivo fechamento da formação de base dos profissionais de saúde dentro da própria Região, situação que poderia constituir um risco significativo para a qualidade da prática clínica e, em última instância, para a saúde dos açorianos”. Assim, sustentam que os estudantes açorianos de medicina devem ser incentivados a “realizar a sua formação de base e especializada junto dos melhores centros de referência nacionais, onde podem beneficiar de maior volume clínico, diversidade de casos e acesso a tecnologias médicas avançadas”; e, “posteriormente, deverão ser criadas políticas eficazes de fixação desses profissionais na Região, nomeadamente através de condições contratuais competitivas, investimento em equipamentos modernos, criação de contextos profissionais estimulantes e tecnicamente desafiantes”.
Lembra-se, no documento, que, contando apenas com os 482 médicos que passaram pelo Curso Básico de Medicina nos Açores apenas 108 regressaram à Região.
Entre as medidas defendidas estão ainda a defesa da inclusão nos contratos médicos de “cláusulas de mobilidade entre hospitais do SRS, em situações excecionais”, bem como a implementação de uma central de compras para o SRS, usando os recursos da Direção Regional de Saúde; e ainda a regulamentação da convenção com os privados para evitar “os abusos que atualmente existem”, dando o exemplo da fisioterapia em São Miguel.
No diagnóstico que antecede estas propostas, o Conselho de Ilha elenca os principais problemas do SRS. Deste modo, além da ausência de uma central de compras e da falta de regulação no sistema de convenções com as clínicas privadas, apontam ainda falta de redundância no sistema hospitalar regional, concentração excessiva de cuidados hospitalares em São Miguel, ausência de uma rede estruturada de cuidados continuados, inexistência de uma política estruturada de fixação de médicos e crescimento descontrolado da despesa hospitalar.
Impacto financeiro de um hospital central/ universitário
Pelas contas do Conselho de Ilha da Terceira, criar 300 a 400 camas hospitalares teria um custo de construção por cama de 500 a 600 mil euros, totalizando 175 a 210 milhões de euros, “sendo que os 15% respeitantes à comparticipação regional representa um esforço que colocaria em causa, não só a sustentabilidade das finanças públicas, como as obras necessárias da rede de saúde regional, extremamente degradada (centros de saúde)”.
Estimam ainda os membros do Conselho de Ilha que o custo médio anual por cama (para 350 camas), acrescido da amortização da construção a 30 anos, totalizaria mais 76 milhões de euros por ano; prevendo ainda que com o hospital universitário seriam gastos mais 80 a 110 milhões de euros por ano, colocando a despesa com saúde em 35 a 38% do orçamento regional, afirma-se no documento onde se lembra que em São Miguel a soma entre o número de camas no público e no privado é de 600 camas.
Diário Insular (18/03/2026)





