Conselho de Ilha da Terceira contra centralismos na Saúde

O Conselho de Ilha da Terceira manifestou-se, ontem, contra a criação de um centro hospitalar dos Açores e contra a criação de mega estruturas que venham a onerar o Orçamento da Região. A posição será transmitida numa reunião com o presidente do Governo Regional e com a titular da pasta da Saúde.

“Foi assente entre todos que não estamos alinhados com as visões que pretendem trazer ao Serviço Regional de Saúde de um novo Centro Hospitalar dos Açores. Somos contra esse tipo de organizações e também somos contra mega estruturas que vão onerar de forma muito significativa o Orçamento da Região, que já de si se encontra debilitado. O que vier a ser feito deve ser pautado por princípios de redundância, de complementaridade e de sustentabilidade do Serviço Regional de Saúde”, afirmou, em declarações ao DI, o presidente do Conselho de Ilha da Terceira, Marcos Couto.

Este foi um dos pontos mais discutidos numa reunião do Conselho de Ilha que decorreu, ontem, na Praia da Vitória.

A posição surge na sequência de um convite do presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, para se reunir, junto com a secretária regional da Saúde, Mónica Seidi, com a mesa do Conselho de Ilha.

O chefe do executivo açoriano também já tinha abordado este tema numa reunião com o Conselho de Ilha de São Miguel.

O encontro com o Conselho de Ilha da Terceira ainda não tem data marcada, mas os conselheiros já definiram a sua posição.

Reconheceram que o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) de Ponta Delgada necessita de obras, mas rejeitaram que a intervenção possa abrir portas a uma visão centralista do Serviço Regional de Saúde.

“Todo o Conselho foi unânime que o hospital de Ponta Delgada precisa de obras, precisa de ser remodelado, eventualmente de ser ampliado em alguns espaços, mas à boleia deste conceito não se pode vir com um novo conceito de centralismo”, explicou Marcos Couto.

Na origem das preocupações dos conselheiros estão os planos operacionais para a recuperação do HDES e o relatório da comissão de análise instalada pelo Governo Regional.

“Não é uma posição em abstrato. É uma posição concreta que resulta da leitura do relatório da comissão aos planos operacionais. É claríssimo o que lá está escrito e qual é a tendência quer dos planos operacionais, quer da posição da comissão”, apontou o presidente do Conselho de Ilha.

Os conselheiros destacaram, ainda assim, pela positiva, o investimento que tem sido feito no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira.

“Registamos com muito agrado a abertura da radioterapia, que era uma valência há muito tempo reivindicada, a recente abertura da unidade coronária e os investimentos previstos, quer nos robôs cirúrgicos e quer na abertura do serviço de hemodinâmica”, referiu Marcos Couto.

Quanto à falta de médicos na região, o Conselho de Ilha entende que o problema reside na sua fixação, já que todos os anos entram cerca de 100 alunos dos Açores em cursos de medicina.

Na reunião de ontem, o Conselho de Ilha decidiu ainda enviar um documento à Assembleia Legislativa da Região a solicitar a “revisão dos estatutos das vias terrestres”, para que sejam “clarificadas as competências sobre a responsabilidade de cada entidade em relação a cada via”.

Segundo Marcos Couto, o Governo Regional tem transferido vias agrícolas para a responsabilidade dos municípios da ilha, mas sem acautelar o devido envelope financeiro para a sua manutenção.

Por outro lado, há demasiadas entidades envolvidas na gestão das vias na ilha Terceira, desde o IROA aos Serviços Florestais, passando pelas câmaras municipais ou até nalguns casos pelas juntas de freguesia.

“Há uma enorme indefinição. As vias estão a degradar-se e é preciso fazer uma intervenção”, salientou o presidente do Conselho de Ilha.

Nesta reunião, as duas câmaras municipais da ilha “manifestaram-se globalmente favoráveis à implementação de uma taxa turística”, mas defenderam que “deve ser estudada a forma como deve ser implementada”.

Os conselheiros consideraram que a taxa deverá ser implementada pelas duas câmaras em simultâneo.

O Conselho de Ilha decidiu ainda organizar uma reunião extraordinária, convidando personalidades e entidades, para debater o futuro da Autonomia da região.

Foi ainda sugerida uma reunião virtual com todos os conselhos de ilha dos Açores para debater o mesmo assunto.

 

Diário Insular (25/02/2026)