Porto da Praia deve ser "porta de acesso" aos grupos Central e Ocidental

O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH), Marcos Couto, defendeu que o Porto da Praia da Vitória deve ser uma "porta de acesso privilegiada aos Açores, em particular para os grupos Central e Ocidental".


"A sua ampliação, várias vezes anunciada, continua por concretizar e o desenvolvimento da Região segue adiado. Este não é um tema local ou de ilha. É um tema de eficiência económica regional. Ignorar esta centralidade é desperdiçar uma vantagem competitiva clara", lançou, na abertura de um seminário dedicado ao tema dos transportes marítimos, promovido pela câmara do comércio.

No evento que se realizou sexta-feira, Marcos Couto frisou que "nada disto será possível sem uma clarificação urgente do modelo de transportes marítimos e do modelo de gestão portuária que queremos para os Açores".

"É sempre mais fácil colocarem-se culpas nas entidades externas, mas a verdade é que continuamos sem fazer a nossa parte, que consiste em decidir que modelo queremos, como queremos e quando o queremos. Ou seja, tornar claras as regras do jogo. Existem estudos. Conclusões. Existem até conclusões das conclusões. Não existem decisões, sendo que nenhum modelo é perfeito", prosseguiu.

O presidente da estrutura que representa os empresários acrescentou também não ser "aceitável que portos da mesma Região, sob a mesma tutela governativa, promovam concorrência desleal entre si".

"Não é aceitável, por exemplo, que descarregar um navio de cereais no Porto da Praia da Vitória seja 15 mil euros mais caro do que noutros portos açorianos, tudo fruto de um modelo de gestão absolutamente arcaico, desajustado, inoperante e inadmissível. Esta indecisão cria imprevisibilidade, penaliza operadores e compromete o desenvolvimento económico e social, não só da ilha Terceira, mas dos Açores", lamentou.

Também discursou a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, que considerou que "os Açores necessitam de um modelo de transportes e mercadorias que, acima de tudo, garanta fiabilidade no transporte, ou seja, que cada utilizador do serviço tenha a certeza da chegada da mercadoria de acordo com as suas necessidades".

"No caso da Praia da Vitória, que conta com uma infraestrutura onde é evidente o subaproveitamento, parece-nos inevitável que o seu uso como plataforma giratória de carga no grupo Central possa ser uma oportunidade", frisou.

A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, defendeu que o sistema tem evoluído progressivamente. "Fazer uma reforma num sistema que tem de continuar a funcionar, a responder às necessidades, tem de ser cirúrgico, progressivo e com muita ponderação", frisou.

"Fizemos um estudo pragmático, que se debruçou sobre questões práticas, e passámos imediatamente à implementação de um novo modelo. Hoje já temos resultados concretos, como escalas semanais em todas as ilhas, mais equipamentos nos portos e ajustes na operação portuária", disse.

Neste momento, reforçou, existe, na prática, um novo modelo. "Já temos a implementação do cenário 2 e agora caminhamos, de forma progressiva e segura, para o cenário misto otimizado", frisou a governante.

Em declarações aos jornalistas, Berta Cabral confirmou também que, tal como tinha afirmado a presidente da Portos dos Açores, Sancha Costa Santos, no mesmo seminário, o concurso público para a construção do cais multiúsos do Porto da Praia da Vitória, por 40,3 milhões de euros, pode estar concluído dentro de poucos meses.

"O Porto da Praia da Vitória (...) é uma das obras prioritárias neste nosso ano de 2026 e seguintes. Vai ser candidatado ao Sustentável, integrado no PO 2030. A Portos dos Açores, por incumbência do Governo, está a desenvolver todo o projeto para que ele se consiga fazer aproveitando fundos comunitários deste quadro em vigor", assegurou a secretária regional.

 

Diário Insular (03/02/2026)