Transportes marítimos em discussão na Terceira
A Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) promove hoje um seminário sobre transportes marítimos, que junta pela primeira vez nos Açores operadores, governantes e entidades reguladoras.
"Nunca esta iniciativa tinha sido feita nos Açores e muitas vezes o que sentimos é que nos Açores falta algum diálogo e relação com a República. O facto de trazermos os órgãos máximos do IMT [Instituto da Mobilidade e Transportes] e da AMT [Autoridade da Mobilidade e dos Transportes] - algo que nunca aconteceu a nível regional - acho que pode ser um momento de extrema importância para se perceber onde é que se falhou, por que se falhou e o que se pode modificar e melhorar, de forma a que também o transporte marítimo possa melhorar", afirmou, em declarações ao DI, o presidente da CCIAH, Marcos Couto.
Segundo Marco Couto, nos últimos anos tem havido uma "grande indefinição sobre que políticas e modelos a seguir" nos transportes marítimos nos Açores e há "uma grande dificuldade em entender como é que se fiscaliza a operação marítima, quem é responsável, quais são as obrigações de cada um".
Por isso, a câmara de comércio decidiu promover um encontro que reunisse "todos os players regionais e nacionais" do setor.
"A ideia é discutirmos e falarmos sobre tudo isto e o ideal seria também saírem conclusões ou pelo menos algumas linhas orientadores sobre o que fazer no futuro", frisou.
Os empresários da Terceira sentem que a ilha tem sido "fortemente penalizada pelo atual modelo de transportes".
"É verdade que ao longo dos últimos meses se melhorou significativamente este modelo, mas ele ainda está longe de estar otimizado e de servir da forma mais cabal e mais correta os Açores e a ilha Terceira em particular", vincou Marcos Couto.
O presidente da associação empresarial considera que os Açores têm de caminhar para um modelo de transportes marítimos que promova o conceito de "autoestradas do mar".
"Enquanto os Açores continuarem a funcionar como unidades estanques de comércio e de mercado dificilmente se vão desenvolver. Precisamos de criar aqui o conceito de autoestradas do mar em que cada ilha deixe de ser uma unidade e os Açores passem a ser um todo", apontou.
Para Marcos Couto, a região não pode evoluir economicamente e do ponto de vista social sem transportes fortes.
"A nossa descontinuidade territorial cria-nos desafios extra sobre os quais temos de pensar de forma estruturada e crítica. E falta muita massa crítica nos Açores, muita capacidade de refletir, de questionar, muita vontade de mudar", vincou.
O seminário decorre hoje, a partir das 13h30, no Auditório da Escola Profissional da Praia da Vitória.
A sessão de abertura conta com o presidente da CCIAH, Marcos Couto, e a presidente do município da Praia da Vitória, Vânia Ferreira.
Às 14h00 começa o primeiro painel, com a temática da regulamentação do transporte marítimo nos Açores. São oradores o diretor regional da Mobilidade, Francisco Bettencourt, a chefe do departamento de regulamentação e licenciamento de atividades marítimo-portuárias do Instituto da Mobilidade e Transportes (IMT), Rita Candeias, e a presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), Ana Paula Vitorino.
Às 15h45, arranca o segundo painel, acerca do modelo de transportes e de gestão portuária. São oradores a diretora da Portos dos Açores, Sancha Costa Santos, o diretor da Operterceira, Carlos Raulino, e representantes dos três operadores marítimos que asseguram as ligações entre o continente e a região: Duarte Rodrigues (Grupo Sousa), Manuel Sousa (Mutualista Açoriana) e Gilberto Robortella (Transinsular).
Às 17h45 tem lugar o último painel, em formato de mesa-redonda, com intervenções dos operadores locais, Manuel Simas (Transportes Marítimos Parece Machado), Isabel Simas (Barcos do Pico Transporte Marítimo de Mercadorias) e Carlos Raulino (TMG).
O seminário encerra com intervenção da secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral.
Diário Insular (30/01/2026)





