Défice dos Açores em 2025 sobe para perto dos 200 milhões
A Região fechou o ano de 2025 com um défice de cerca de 200 milhões de euros, segundo o Boletim de Execução Orçamental de dezembro de 2025, publicado pela direção regional do Orçamento e Tesouro.
Segundo o documento, "o saldo global consolidado dos organismos com enquadramento no perímetro da Administração Pública Regional atingiu, no final de dezembro, os -198,5 milhões de euros, consequência de uma receita efetiva de 1.679,2 milhões de euros e de uma despesa efetiva de 1.877,7 milhões de euros".
De acordo com o boletim, "do total da receita auferida, 1.358,5 milhões de euros (80,9%) corresponderam a receita corrente e 320,7 milhões de euros (19,1%) a receita de capital".
Já a despesa efetiva "decompôs-se em 1.500,6 milhões de euros (79,9%) de despesa corrente e 377,1 milhões de euros (20,1%) de despesa de capital".
Quanto à execução no quadro do Governo Regional, a 31 de dezembro apurava-se um saldo global de -219,6 milhões de euros e um saldo primário de -138,3 milhões de euros. "O saldo corrente foi de -81,3 milhões de euros, enquanto o de capital se situou nos -149,3 milhões de euros", é apontado.
De acordo com o economista João Teixeira, em declarações prestadas à Antena 1 Açores, trata-se do "segundo maior défice, em contabilidade pública, de sempre, o que é um fator que nos deve preocupar".
O défice, apontou, agravou-se em 78 milhões de euros em relação a 2024, o que se traduz num aumento de 65%.
O professor da Universidade dos Açores afirmou que, quando forem conhecidos os números do INE (Instituto Nacional de Estatística) sobre o défice em contabilidade nacional, isto é, em percentagem do PIB (Produto Interno Bruto), a Região pode surgir com um défice superior a 3% do PIB. "Pelo segundo ano consecutivo, vamos registar um défice acima do limite dos 3% de Maastricht, aquela linha de referência para os défices orçamentais", disse.
Num comunicado emitido ontem, a secretaria regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública considerou que os números "não são novidade".
"O referido 'agravamento do saldo orçamental da administração regional direta' é - tão só - o que estava previsto no Orçamento de 2025, portanto não representa qualquer novidade, pois estavam previstos 150 milhões de euros para transformação de dívida comercial em dívida financeira e 75 milhões de endividamento líquido", argumenta a secretaria regional.
"O valor de -219,6 milhões de euros resulta essencialmente destas duas operações de financiamento efetuadas em 2025 - 150 milhões de euros de transformação de dívida comercial em financeira e 70 milhões de euros para financiar o Plano", acrescenta.
A secretaria regional assegura que "a situação em 2026 apresentará melhorias significativas, sem transformação de dívida comercial em financeira e sem endividamento líquido, matérias previstas no Orçamento da Região para 2026".
Diário Insular, (29/01/2026)





