Resposta da SATA sobre a Terceira é tecnicamente falsa e politicamente irresponsável

Resposta da SATA sobre a Terceira é tecnicamente falsa e politicamente irresponsável

TAP valoriza a Terceira

A CCIAH considera a resposta da SATA ao requerimento do PS uma afronta à inteligência dos açorianos e dos terceirenses em particular. É este tipo de respostas que levou ao descrédito total da companhia e dos seus dirigentes. Afirmar que a procura pela Terceira no Natal é inexistente e, simultaneamente, reforçar em cerca de 1000 lugares a ligação PDL–TER–PDL é absolutamente ridículo e revela uma contradição elementar que só por si desmonta o argumento apresentado.

O que vemos, na prática, é um reforço dos voos de Lisboa e Porto para Ponta Delgada, acompanhado de um reforço dos voos de Ponta Delgada para a Terceira em cerca de 1000 lugares, e para as restantes ilhas em aproximadamente 1500 lugares adicionais. Perante este cenário, é hoje impossível entrar nos Açores usufruindo da tarifa máxima bonificada de 600 euros com destino à Ilha Terceira sem passar por Ponta Delgada, já que as tarifas disponíveis para a Terceira, fruto da procura efetivamente existente, se encontram muito acima desse valor.

Convém esclarecer um ponto essencial que a SATA continua deliberadamente a omitir: no sector do transporte aéreo e do turismo existe uma regra elementar, amplamente comprovada, segundo a qual o aumento da oferta, quando existe procura latente, gera aumento efetivo da procura. Confundir a inexistência de listas de espera com ausência de procura é um erro técnico grave, pois quando os voos estão esgotados, os preços são excessivos e a operação se torna dissuasora, a maioria dos passageiros não entra em listas de espera: simplesmente desiste de viajar.

Se, no que respeita aos transportes marítimos, a CCIAH consegue e considera de muito meritório o esforço que a Senhora Secretária Regional Berta Cabral tem vindo a desenvolver no sentido de devolver ao Porto da Praia da Vitória o papel que naturalmente lhe compete nos transportes marítimos regionais; no transporte aéreo não podemos, de todo, subscrever a mesma postura. Na verdade, o que esta Câmara sente é que existe, por parte da tutela, uma clara orientação política no sentido de centralizar a operação aérea em Ponta Delgada, continuando a encontrar no membro do Conselho de Administração Sandro Raposo o seu principal braço operacional.

Tal como já foi afirmado, este centralismo bacoco, limitativo e economicamente irracional tem um custo enorme para a companhia. Os dados técnicos disponíveis demonstram de forma inequívoca que a opção por reforçar exclusivamente a operação via Ponta Delgada, em detrimento de voos diretos ao continente, destrói valor económico no próprio Grupo SATA, em vez de o criar.

Esta estratégia implica, de forma direta e mensurável:

  • 100.000€ a 150.000€ em custos operacionais adicionais,
    •280.000€ a 400.000€ de receita não capturada,
    • 40.000€ a 70.000€ de prejuízo direto para a SATA Air Açores (SP),
    sem qualquer benefício estrutural para a mobilidade regional.

O que presenciamos é que, quando se trata de centralizar, não há qualquer preocupação com os custos, que acabam sempre por ser suportados por todos os açorianos.

Em sentido diametralmente oposto, temos a postura da TAP, que, longe deste bairrismo centralista, decadente e doentio, continua a apostar na Gateway Terceira. É absolutamente lamentável que a companhia que devia unir os Açores continue a ser utilizada pelo poder político como instrumento de divisionismo e desunião, num claro sinal de incapacidade para o exercício das funções que lhe estão confiadas. Uma postura que não vem de agora e que transversal a quem nos últimos 30 anos tem dirigido os destinos da região.

Este modelo é tão injusto quanto vergonhoso, e importa afirmá-lo com clareza: o povo de São Miguel não precisa, nem merece, que se crie a ideia de que o seu sucesso seja construído à custa do estrangulamento económico das outras ilhas, nomeadamente da Terceira, como segunda maior economia dos açores.

Mais do que isso, chega a ser confrangedor assistir a responsáveis políticos a fomentarem este desrespeito pela ilha de São Miguel, tentando colar a sua afirmação económica a um modelo de desenvolvimento assente no bairrismo centralista. São Miguel tem um tecido empresarial válido, capaz e competitivo, que se afirma pelo mérito, pela iniciativa privada e pela sua dinâmica própria — e não merece ser associado a um crescimento obtido à custa da penalização deliberada das restantes ilhas.

Utilizar uma companhia aérea pública para alimentar artificialmente essa narrativa não prejudica apenas a Ilha Terceira e as outras ilhas: desprestigia São Miguel, fragiliza a coesão regional e empobrece o próprio conceito de autonomia.

Posição contrária ao Grupo SATA tem a TAP, que livre e longe estes preconceitos bairristas e centralistas acaba de reforçar as ligações á Ilha Terceira com mais um night Stop pontual e 4 ligações semanais diretas ao Porto, a começar em Abril de 2026. Não deixa de ser lamentável que seja a TAP a única companhia aérea nacional a contribuir de forma séria para a coesão nacional, cumprindo assim um papel que devia ser de todos, mas que fica reservado à empresa publica, mostrando toda a fraqueza dos que empobrecem e destroem a autonomia regional.