Estratégia deliberada de centralização da SATA com consequências extremamente negativas para a Região

A Direção da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) tomou conhecimento do anúncio da SATA Air Açores relativo ao reforço de cerca de 1.000 lugares e 15 rotações adicionais na ligação Ponta Delgada / Terceira / Ponta Delgada.

A CCIAH considera que este anúncio, longe de representar uma solução estrutural para a mobilidade aérea da Ilha Terceira, confirma uma estratégia deliberada de centralização da operação aérea em Ponta Delgada, com consequências gravemente negativas para a companhia, para a economia terceirense e para o equilíbrio do desenvolvimento regional.

Um ataque sem precedentes recentes à competitividade da Ilha Terceira

No entendimento da CCIAH, desde os tempos dos Governos do Partido Socialista, em que foram retiradas as aeronaves da SATA Air Açores que pernoitavam na Ilha Terceira, nunca a ilha tinha sido alvo de um ataque tão profundo, continuado e estrutural ao seu desenvolvimento económico e à sua competitividade externa.

O que hoje se verifica é a destruição consciente desse modelo de equilíbrio, substituído por uma lógica centralista que fragiliza a Terceira, empobrece a Região e compromete o futuro do arquipélago.

Uma opção economicamente irracional que está a “detonar” a companhia

Os dados técnicos disponíveis demonstram de forma inequívoca que a opção por reforçar neste Natal, exclusivamente a operação via Ponta Delgada, em detrimento de voos diretos ao continente, destrói valor económico no próprio Grupo SATA.

Esta estratégia implica:

  • 100.000€ a 150.000€ em custos operacionais adicionais,
  • 280.000€ a 400.000€ de receita não capturada,
  • 40.000€ a 70.000€ de prejuízo direto para a SATA Air Açores (SP).

Os dados técnicos disponíveis demonstram, de forma inequívoca, que a opção por reforçar a operação na época de Natal exclusivamente por Ponta Delgada, em detrimento de voos diretos ao continente, destrói valor económico no próprio Grupo SATA. Estamos, de facto, perante um ciclo de autodestruição da companhia, desprovido de qualquer racionalidade económica, orientado apenas para sustentar uma opção centralista falhada, o que acaba por agravar uma situação que já era, por si só, marcada por elevada fragilidade financeira.

Uma estratégia paga por todos os Açorianos e que destrói a autonomia

A CCIAH considera esta situação absolutamente lamentável. Quantos mais milhões de euros terão de ser injetados na SATA Air Açores para alimentar esta realidade obsessiva e doentia?

Os 10 milhões iniciais das OSP já não chegaram. Vamos acabar nos 50, 70 milhões, ou mais, para sustentar um centralismo bairrista estéril e serôdio, enquanto as empresas aguardam pagamentos em atraso, os investimentos são adiados e a economia regional perde competitividade?

Esta política está a ser paga por todos os Açorianos e empurra os Açores para as caudas do desenvolvimento, comprometendo seriamente a autonomia regional, económica e política.

Custos diretos e mensuráveis para a economia da Ilha Terceira

A ausência de voos diretos adicionais resultou na não deslocação de entre 440 e 640 passageiros num período crítico, traduzindo-se numa perda económica estimada entre 400.000€ e 580.000€ para a economia da Ilha Terceira, afetando diretamente a hotelaria, restauração, comércio, aluguer de viaturas e serviços.

O desenvolvimento de uma ilha não pode ser feito à custa de garrotear as restantes

A CCIAH entende que o sucesso económico de Ponta Delgada e da Ilha de São Miguel não pode continuar a ser construído à custa do garrote imposto às restantes oito ilhas do arquipélago, em particular à Ilha Terceira.

O crescimento de uma parte da Região à custa do enfraquecimento deliberado das restantes não é desenvolvimento: é centralismo económico, é desequilíbrio territorial e é empobrecimento coletivo.

Este modelo é tão injusto quanto vergonhoso, e importa afirmá-lo com clareza: o povo de São Miguel não precisa, nem merece, que o seu sucesso seja construído à custa do estrangulamento económico das outras ilhas.

Mais do que isso, chega a ser confrangedor assistir a responsáveis políticos a fomentarem este desrespeito por São Miguel, tentando colar a sua afirmação económica a um modelo de desenvolvimento assente no bairrismo centralista. São Miguel tem um tecido empresarial válido, capaz e competitivo, que se afirma pelo mérito, pela iniciativa privada e pela sua dinâmica própria – e não merece ser conotado com um crescimento obtido à custa da penalização deliberada das restantes ilhas.

Utilizar uma companhia aérea pública para alimentar artificialmente essa narrativa não prejudica apenas a Ilha Terceira e as outras ilhas: desprestigia São Miguel, fragiliza a coesão regional e empobrece o próprio conceito de autonomia.

Uma decisão política imposta pela tutela – não uma opção técnica da companhia

No entendimento da Direção da CCIAH, esta estratégia não resulta de uma decisão autónoma da companhia, nem de critérios técnicos, operacionais ou de mercado.

A CCIAH considera que estamos perante uma intromissão direta da tutela política, exercida pela Senhora Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Dra. Berta Cabral, na gestão operacional da SATA, concretizada através do responsável operacional Sandro Raposo.

Esta interferência política:

  • condiciona decisões que deveriam ser estritamente técnicas,
  • impõe uma lógica de centralização em Ponta Delgada “custe o que custar”,
  • fragiliza financeiramente a companhia,
  • e penaliza deliberadamente a Ilha Terceira.

Uma companhia aérea pública não pode ser usada como instrumento de centralismos internos, jogos de poder ou agendas bairristas, sob pena de se destruir valor económico, confiança institucional e a própria autonomia dos Açores.

A CCIAH entende que é urgente responsabilidade política e mudança imediata de rumo

A Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo reafirma que não pede privilégios, mas exige:

  • equidade territorial,
  • racionalidade económica,
  • responsabilidade política,
  • e respeito por todas as ilhas e por todos os Açorianos.

Persistir neste caminho significa continuar a destruir a companhia, enfraquecer a autonomia e empurrar os Açores para um modelo de subdesenvolvimento estrutural.

Os empresários da Ilha Terceira continuarão a trabalhar e a investir. Mas não aceitarão, em silêncio, decisões políticas que limitam deliberadamente a mobilidade, destroem competitividade e comprometem o futuro da Região Autónoma dos Açores, que iremos continuar a defendes de forma incessante, contra tudo e contra todos, aplicando a máxima: a nossa Ilha é os Açores.