Custos de contexto continuam a penalizar mais as empresas dos Açores

As empresas açorianas continuam a enfrentar obstáculos estruturais mais elevados do que a nível nacional, com maior destaque para valores superiores nos licenciamentos, financiamento, recursos humanos e transportes.

As empresas dos Açores continuam a enfrentar dificuldades estruturais superiores à média nacional, sobretudo nos domínios dos licenciamentos, financiamento, recursos humanos e transporte de mercadorias, de acordo com os resultados do Inquérito aos Custos de Contexto 2024.

O indicador global de custos de contexto situa-se nos 3,24 pontos nos Açores, acima dos 3,14 registados a nível nacional, revelando que o exercício da atividade empresarial na Região Autónoma continua a ser percecionado como mais exigente e pesado. Além disso, houve um aumento de 0,16 face a 2021 nos Açores.

O estudo revela que os processos de licenciamento apresentam um nível de dificuldade de 3,70 nos Açores, superior aos 3,54 da média nacional, com especial destaque para a certificação ambiental e as licenças ambientais, que atingem níveis particularmente elevados de complexidade.

No que concerne ao início da atividade, os Açores registam um índice de obstáculos de 3,41, bem acima do 3,12 a nível nacional. Os requisitos legais necessários e os custos (incluindo taxas e capital social necessário) foram os maiores impulsionadores, enquanto o tempo necessário e o número de entidades envolvidas está acima da média nacional.

Também o acesso ao financiamento surge como um dos maiores obstáculos para as empresas açorianas, com um índice de 2,94, face aos 2,63 da média nacional. As maiores dificuldades verificam-se no crédito bancário de médio e longo prazo, no capital de risco e no acesso a subsídios e programas de apoio governamental.

As empresas dos Açores são igualmente afetadas pelos custos associados às indústrias de rede, em especial no transporte de mercadorias. O transporte marítimo apresenta um índice de obstáculo de 3,68 e o aéreo de 3,44, valores bastante acima dos registados na média nacional, refletindo os impactos diretos da ultraperiferia nos custos logísticos das empresas.

Maior dificuldade no acesso aos recursos humanos

No domínio dos recursos humanos, os Açores voltam a apresentar valores superiores aos nacionais. O índice global atinge os 3,60, contra 3,24 na média nacional, sendo especialmente crítica a dificuldade no acesso a técnicos qualificados, que atinge 3,93, um dos valores mais elevados de todo o inquérito - 69,6% se juntarmos as respostas “obstáculo elevado” e “obstáculo muito elevado”.

Além disso, os processos de contratação (51,1%), despedimentos (57,6%) e acreditação de competências (48,9%)surgem como entraves elevados ou muito elevados ao normal funcionamento das empresas.

A internacionalização continua a ser outro desafio acrescido. As exportações extra União Europeia apresentam um obstáculo de 3,33, enquanto as candidaturas a fundos europeus atingem 3,43, valores ambos acima da média nacional.

Em contraciclo, os sistemas fiscal e judicial revelam índices ligeiramente inferiores aos do continente, embora continuem a ser percecionados como fatores de pressão. O sistema fiscal apresenta um índice de 3,12 nos Açores, abaixo dos 3,28 nacionais, enquanto o sistema judicial regista 3,61, próximo da média nacional.

A carga administrativa e relação com as entidades nos Açores (2,88) também está abaixo da média nacional (2,96).

Os resultados deste inquérito reforçam uma realidade antiga: a condição ultraperiférica dos Açores continua a traduzir-se em custos acrescidos, maior burocracia e dificuldades no acesso a financiamento, mão-de-obra e mercados externos.

 

Açoriano Oriental (05/12/2025)