Terceira com ligação semanal direta a Lisboa e Leixões

A Câmara de Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo (CCIAH) congratulou-se com a implementação, prevista para 01 de outubro, de uma ligação marítima direta semanal à ilha Terceira, a partir de Lisboa e de Leixões, lembrando que era uma reivindicação antiga dos empresários.

"A direção [da CCIAH] congratula-se com este passo decisivo, reconhecendo a responsabilidade acrescida que tal implica para todos os intervenientes, desde logo nas operações portuárias (OPER e Portos dos Açores), de forma a evitar entropias no sistema", avançou, em comunicado de imprensa, na sequência de uma reunião com Governo Regional e armadores responsáveis pelo transporte marítimo de mercadorias para a região.

Em comunicado de imprensa, a associação empresarial sublinha que lembrou no encontro "as dificuldades sentidas nos últimos anos devido ao sucessivo incumprimento de escalas de chegada e partida no

Porto da Praia da Vitória, situação que gerou avultados prejuízos para o tecido empresarial local".

"No último inverno, a ilha Terceira, assim como outras ilhas do grupo central, enfrentaram uma escassez significativa de produtos, em particular bens alimentares frescos, nas prateleiras dos supermercados", sublinhou.

Segundo os empresários, "da reunião resultou clara a vontade dos armadores em ultrapassar os constrangimentos vividos até à data, designadamente no que respeita à previsibilidade dos itinerários".

A CCIAH disse ainda que alertou para "a necessidade de se encontrar soluções eficazes que respondam às exigências do mercado interno inter-ilhas, contribuindo para o crescimento económico e para o desenvolvimento económico da região" e que apelou à melhoria da gestão portuária em todos os portos açorianos, "designadamente através da uniformização das tarifas praticadas".

Para os empresários, a nova ligação direta à Terceira "constitui um marco importante para garantir previsibilidade e frequência nas ligações marítimas, elemento essencial para a estabilidade económica da região".

A CCIAH saudou os investimentos realizados pelos armadores e o empenho da tutela em promover soluções que visam "superar o modelo ineficaz de transporte de mercadorias vivido até ao presente".

Garante ainda que "continuará atenta e a acompanhar de perto este processo, em defesa dos interesses das empresas e da economia da ilha Terceira e da Região Autónoma dos Açores".

Entendimento unânime

A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, reconheceu que recentemente se registaram "vários constrangimentos na operação de transporte marítimo de mercadorias na Região", mas destacou "um entendimento unânime sobre a melhoria muito significativa após a entrada no sistema de mais um navio operado pela Transinsular, o que resultou em melhor regularidade e estabilidade no serviço".

"Quando se fala de transportes, há sempre um problema que aparece, porque é um setor crítico para a nossa economia. Numa região com nove ilhas, há uma total dependência dos transportes e isso complexifica toda a exigência a que todos estamos sujeitos", afirmou, citada em comunicado de imprensa.

Segundo Berta Cabral, "os problemas existiram porque não havia capacidade de resposta para a procura", uma vez que os armadores estavam a responder a mais procura com os mesmos recursos.

"Ter mais capacidade de resposta foi sempre uma insistência nossa junto dos armadores", reforçou.

A governante disse que a região vive um momento especial de crescimento, de consumo e de necessidades de importação e exportação.

"A movimentação de mercadorias cresceu muito nos nossos portos. O turismo cresceu muito. E a nossa capacidade de exportação também se desenvolveu", salientou.

Segundo Berta Cabral, no decorrer da reunião, foi também revelado o estabelecimento de uma parceria entre o Grupo Sousa e a Mutualista Açoreana para, a partir de outubro, ser operada uma nova linha de navios expresso a sair dos portos do continente e a navegar para várias ilhas dos Açores, o que "irá melhorar substancialmente a resposta de todo o sistema".

"O sistema de transportes é muito complexo e exige uma grande coordenação entre vários atores e um trabalho de parceria e proximidade. Os ajustamentos necessários nestes sistemas não são rápidos.

O Governo dos Açores procurou sempre exercer a sua influência sobre os armadores privados para que a se registasse uma efetiva evolução na oferta. É isso que está a acontecer e estamos, obviamente, muito satisfeitos com a situação, tal como também está a câmara do comércio", frisou.

 

Diário Insular (25/09/2025)