Empresários defendem reprogramação dos fundos do PRR

Câmara do Comércio dos Açores mostra “profunda preocupação” com a capitalização das empresas devido à fraca execução do PRR, considerando que a “utilização plena” dos fundos carece de “reprogramação” tanto para projetos existentes como novos Os empresários açorianos dizem-se “profundamente preocupados” com a atual execução de algumas medidas do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) na Região, defendendo por isso a “reprogramação” dos fundos tanto para projetos existentes como para os novos. Reunidos na passada semana no Fórum CCIA 2024 - Encontro Empresarial dos Açores, os empresários regionais revelam, em comunicado, estar particularmente preocupados com a “capitalização das empresas”, uma vez que, “da dotação de 125 milhões de euros desta medida, apenas pouco mais de 1 milhão de euros foi utilizada, quando falta pouco mais de um ano para a conclusão do programa”. Por esse motivo, a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) considera que a “utilização plena dos fundos do PRR carece de reprogramação, quer entre os projetos já existentes, quer direcionados para novos projetos”, devendo ser “apoiados os esforços regionais e nacionais no sentido de vir a ser possibilitada a pretendida reprogramação do PRR”. Em nota de imprensa enviada ontem às redações, os empresários manifestaram ainda preocupação com o “impacto do fim do PRR em muitas áreas de negócio e principalmente com a sustentabilidade de muitos projetos financiados neste âmbito, que vão carecer no futuro, para a sua manutenção, de muitos recursos financeiros, o que implicará o aumento da despesa pública regional”. Por isso, consideram ser “importante” que se iniciem já ações que “contemplem e tenham em atenção esta realidade”. “Os instrumentos de planeamento orçamental de médio prazo, com o Quadro Orçamental Plurianual, são fundamentais e devem ser levados a sério”, apontaram. Em comunicado, os empresários também teceram considerações sobre o PO Açores 2030, classificando como “negativo” o “atraso significativo” na aprovação dos projetos, “com desfasamentos de mais de um ano após a sua apresentação, o que contribui para defraudar as expectativas dos agentes económicos e retardar a competitividade”. O encontro do Fórum CCIA 2024, por videoconferência, reuniu mais de 30 empresários em representação de associações empresariais dos Açores de vários setores de atividade, tendo como principal objetivo a “análise e reflexão sobre o estado da economia regional, identificando as principais dificuldades, analisando as grandes necessidades e oportunidades de ajustamento estrutural da economia açoriana, bem como apresentando contributos para a dinamização social e económica regional”. Segundo o comunicado, no encontro, os empresários identificaram como eixos estruturais para o desenvolvimento regional os transportes, a mão-de-obra e formação e a recapitalização das empresas, considerando essencial a resolução do “eterno problema” dos pagamentos em atraso. Na reunião, registaram a “falta de orientação estratégica pública” em diferentes áreas, tais como o turismo e a promoção externa dos Açores, e a “deficiência a nível da interligação entre departamentos governamentais”, considerando que estas situações têm “condicionado fortemente a atividade das empresas, que necessitam de previsibilidade e conhecimento atempado das políticas, medidas e estratégias públicas”. “O Fórum também registou como fator negativo a falta de concertação efetiva com as associações empresariais, bem como de outros ‘stakeholders’, na definição das estratégias e medidas públicas, que ganhariam em qualidade e adequação à realidade que pretendem alcançar, o que potenciaria um melhor e mais sustentável desenvolvimento regional”, apontam ainda os empresários, lamentando que “a concertação com as entidades empresariais tem sido uma ilusão”. Câmara do Comércio dos Açores alerta para problemas nos transportes A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) volta a alertar para os constrangimentos verificados nos transportes aéreos, marítimos de mercadoria e terrestres de passageiros e o seu impacto na economia do arquipélago. Em comunicado, os empresários açorianos apontam para alguns problemas como a “incapacidade da SATA em dar resposta à procura interna, de passageiros e de carga, em algumas épocas do ano, prejudicando a acessibilidade para as ilhas mais pequenas” ou um “processo de privatização da SATA demasiado lento”, além das “dificuldades no transporte aéreo de carga quer para o exterior, quer interilhas”. Quanto ao transporte marítimo de mercadorias, consideram que o atual modelo “não serve de forma adequada e competitiva a economia regional” e lamentam, entre outros aspetos, a “conclusão indefinida do estudo encomendado pelo Governo Regional”. Já no transporte terrestre de passageiros, consideram o “modelo atual de funcionamento do serviço de transporte coletivo, designadamente o sistema tarifário, totalmente desadequado e não estimulador da sua utilização, face ao que tem sido desenvolvido a nível nacional”, alertando para o “prejuízo grave para a capacidade deste setor manter uma carreira atrativa de condutores de veículos pesados”. Açoriano Oriental (17/09/2024)